quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ida à Bertrand do Fórum Montijo e do Fórum Almada

Uma nota apenas para dizer que amanhã, dia 23 de Abril, às 11h00, estarei na livraria Bertrand do Fórum Montijo e, às 14h00, na do Fórum Almada, para falar um pouco do meu livro e da escrita. Todos os interessados ficam desde já convidados a comparecer.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Entrevista no número 3 da revista literária Alterwords

Fui amavelmente convidada para ser entrevistada pela coordenadora da revista Alterwords, Carla Ribeiro, para o 3º número desta revista literária online. Deixo aqui o texto dessa entrevista, sugerindo que visitem o site da Alterwords (http://alterwords.webs.com/) e este número da revista em específico, que podem ler fazendo o download gratuito do mesmo, no site indicado em cima. Aqui fica então o texto da entrevista, assim como a fotografia da mesma:

Entrevista com…

Catarina Coelho, escritora


Jovem talento da literatura nacional, Catarina Coelho lançou recentemente “A Fantástica Aventura dos Anões da Luz – Em Busca de Sulti”, sobre o qual podemos saber mais no blog http://afantasticaaventuradosanoesdaluz/.blogspot.com . Fomos saber como foi recebida no mundo dos livros esta nova voz da literatura fantástica.


Carla Ribeiro: Lançaste há poucos meses o teu primeiro livro. Fala-nos um pouco da tua experiência no processo de editar um livro.
Catarina Coelho: Editar um livro em Portugal não é fácil. Escrevi este livro que foi agora editado há cerca de cinco anos. Apesar de, graças ao incentivo de pessoas à minha volta, ter começado imediatamente à procura de uma editora, o processo não foi simples, tal como acontece normalmente com os novos autores. Inclusive, durante estes cinco anos, obtive pareceres positivos por parte de editoras (no caso de uma delas, cheguei mesmo a ter o contrato de edição nas mãos e a data de publicação marcada, para além de ter decidido vários aspectos da edição com a editora), mas as coisas acabavam sempre por não avançar. Só agora, ao encontrar a Chiado Editora, fui tratada com o respeito que qualquer pessoa que submete um original seu para apreciação deve ser tratada.


C. R.: De que forma tens sido recebida pelos leitores?
C.C.: Tenho sido muito bem recebida pelos leitores, o que obviamente me deixa muito satisfeita, pois creio que todos os que escrevem gostam de perceber que outras pessoas se sentem “em casa” no universo que criam nos seus livros. Têm-me chegado vários comentários muito positivos sobre o livro, sobretudo através do blog do mesmo.


C. R.: Existe uma inevitável tendência para a classificação da literatura dentro de determinados géneros. De que forma te afectou essa classificação?
C.C.: Afectou, no sentido em que, nas livrarias, o meu livro, talvez pelo seu título, é colocado apenas na secção infanto-juvenil (e catalogado como tal), em vez de ser também colocado na secção de Literatura Fantástica. Ora o meu livro não é um livro para crianças. Poucas pessoas com menos de 12 anos conseguirão ler o livro (para além de eu estar a constatar isto com os meus alunos, uma vez que ensino Inglês a crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico e algumas compraram e tentaram ler o livro, esta opinião não é apenas minha: tanto a editora como quem leu o livro diz o mesmo). Apesar do título e do que este sugere à partida, A fantástica aventura dos Anões da Luz – Em busca de Sulti é um livro dirigido sobretudo a um público de jovens e jovens adultos (posso dizer, inclusive, que a maior parte dos comentários que recebi até agora foram de leitores com mais de 20 anos). Como se pode calcular, o facto de o livro ser geralmente catalogado da forma que é afasta pessoas que poderiam gostar de o ler, o que, claro, é negativo.


C. R.: O que sentiste quando viste, pela primeira vez, que o teu sonho se tinha tornado realidade?
C.C.: Senti muitas coisas e algumas são difíceis de descrever! Senti uma enorme felicidade, um sentimento de realização… Mas não só. Desde criança que adoro escrever e, no interior de mim própria, sempre sonhei editar um livro, em partilhar com os outros os universos que crio. Por isso, quando vi que o meu sonho se tinha realizado, senti aquilo que já disse e muito mais que não tenho a certeza de saber pôr em palavras… Esperança, creio, assim como gratidão por algumas pessoas que me incentivaram e deram força… Senti também ansiedade… E uma força renovada para continuar a acreditar naquilo que escrevo.


C. R.: No nosso país, a fantasia é ainda um género marginalizado. O que pensas sobre o assunto?
C.C.: Bem, se é certo que muita gente já lê este género literário, também é verdade que a crítica literária dominante não põe a Fantasia ao mesmo nível dos outros géneros, considerando-a um género menor, o que me parece injusto e errado, pois há bons e maus autores e bons e maus livros em qualquer género literário.


C. R.:Achas que existe qualidade nos autores nacionais do género fantástico?
C.C.: Sim, claro que sim. Já tive alguns exemplos disso. Muitas vezes as pessoas rejeitam à partida os autores portugueses, mas creio que deveriam dar a mesma oportunidade aos autores nacionais que dão aos estrangeiros, pois há qualidade e falta dela tanto no nosso país como nos outros.


C. R.: Quais são os teus próximos projectos?
C.C.: Neste momento, estou a escrever um novo romance, o qual procura combinar o género da Fantasia com o típico romance inglês do séc. XIX. É algo novo para mim, mas está a dar-me muito prazer escrevê-lo, pois há já bastante tempo que me apetecia escrever algo dentro desse género do típico romance inglês do séc. XIX, uma vez que tenho um grande fascínio por essa época e pela literatura da mesma. Aliar a isso a Fantasia, género em que gosto tanto de escrever, está a ser muito interessante. Quanto a outros projectos, não está excluído um retorno ao mundo dos Anões da Luz, no futuro. Escrevi também alguns contos (esses sim, destinados sobretudo a um público infantil, embora também de Fantasia) e tenho mais ideias para contos desse género.

C. R.: Por último, conta-nos um pouco do que a escrita representa para ti.
C.C.: A escrita é um refúgio, um “lugar” onde posso afastar-me do dia-a-dia e inventar os meus próprios mundos, nos quais posso decidir o rumo dos acontecimentos, algo que nem sempre podemos fazer no mundo real. É uma forma de libertação e um meio de canalizar a imaginação que, se for deixada entregue a si própria, pode tornar-se “selvagem” e destrutiva, enquanto assim fica orientada para um fim criativo. E, devo dizê-lo, a escrita é um prazer viciante, especialmente quando se realiza o que parece ser uma vocação natural e é um sonho de sempre, como é o meu caso.