domingo, 1 de fevereiro de 2009

Excerto de A fantástica aventura dos Anões da Luz - Em busca de Sulti

Já há algum tempo que andava a pensar que talvez fosse interessante deixar aqui um excerto do livro. Aqui fica então um, retirado do 6º capítulo:

Ao fim desse tempo, no entanto, algo de espantoso aconteceu. Na clareira começou a ver-se um estranho brilho, que parecia cair do céu, como finas gotas de chuva. À primeira vista, dava gosto contemplar esse brilho, mas se se olhasse com atenção, ficar-se-ia com a sensação de que havia algo de maligno naquele brilho. Mas as coisas não ficaram por ali: uma nebulosidade intrigante começou também a inundar aquele local. Como se tivessem sido acordados por aquele estranho espectáculo, Molti, Nolpi, Pirqui e Cuti levantaram-se e, de olhos fechados, tomaram, cada um por sua vez, um pequeno caminho que vinha desembocar na clareira. Quem os olhasse, percebia que não tinham mão em si e avançavam comandados por algo. Afastaram-se imenso de perto dos seus companheiros e penetraram numa extensão mais cerrada de bosque. O silêncio da noite fria e escura parecia duplicar naquele local, em que não havia sequer sinais de animais. Eles nada disto notaram. Avançavam mecanicamente em direcção a algo que nem eles próprios sabiam o que era. As suas cabeças estavam vazias, sem sombra de pensamento de qualquer espécie, como se aquele estranho algo que os fazia caminharem em direcção a ele tivesse apagado todo e qualquer vestígio deles próprios nos seus seres. Os seus músculos estavam retesados e as suas pernas e pés pareciam conhecer apenas um movimento: o de andar para a frente, sempre para a frente, sem parar. A certa altura, chegaram a um sítio com muitas pedras e poucas árvores, onde o solo parecia ter sido remexido. Os quatro anões continuaram a avançar com passos rígidos até ao centro. Aí, estacaram. Um por um, movidos por qualquer estranha força, saltaram para um grande buraco negro, no chão, e desapareceram...

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá, Catarina. Que bom encontrar uma escritora que gosta de anime como eu, lol.
Eu tmb adoro escrever. E neste momento estou a escrever um livro. Ainda vou no primeiro capítulo, mas lá chegaremos.
Gostava de ler o teu livro. Sabes onde se encontra á venda em Lisboa? E tens alguns conselhos para me dar em relação ao livro?
Beijos
Andreia

Anónimo disse...

Muito obrigado. Vou tentar ver na fnac, lol. Eu estava a pensar, por exemplo, achas que eu devia escrever a história sobre o ponto de vista da personagem? Ou talvez, que tipo de vilão/ vilã?

CC disse...

Olá, Andreia!

Antes de mais, peço desculpa pela demora na resposta, mas durante estes dias estive sem acesso à net.

Bem, em relação aos conselhos que me pediste no teu último comentário, compreendo que possas eventualmente estar com algumas dúvidas, uma vez que iniciaste agora a escrita do livro, mas sabes, não te posso dar uma resposta às tuas perguntas "(...)achas que eu devia escrever a história sobre o ponto de vista da personagem? Ou talvez, que tipo de vilão/ vilã?". Todos esses aspectos da história e da narrativa têm de ser decididos pelo autor e a sua escolha depende muito de autor para autor e do que este pretende fazer da sua história. É também uma questão de gosto e de estilo pessoal. Essas decisões nem sempre são fáceis, mas, por muito que te queira ajudar, não te posso fornecer as respostas. Tens de ser tu a encontrá-las (demore mais ou menos tempo): a história é TUA. O que posso é aconselhar-te a escolher o ponto de vista do narrador que mais te agrade ou para que mais estejas inclinada em termos de "inspiração", digamos, e o vilão/vilã que se adeqúe melhor à história que queres contar e que funcione melhor como contraponto ao herói/heroína da tua história. E, claro, escolhe um vilão/vilã que te inspire, um sobre o qual tenhas vontade de escrever e coisas a dizer.

Tenho pena de não poder responder às perguntas que me colocaste da forma que querias, mas, como imaginas, não há uma fórmula ou receita padrão universalmente válida para estas coisas, aplicável a todos os casos. Como tal, aquilo que te disse é o melhor que te posso dar para corresponder ao que me pedes.

Beijinhos,

Catarina